Há 6 furacões à solta pelo planeta, um deles com ventos de quase 300 km/h

Há 6 furacões à solta pelo planeta, um deles com ventos de quase 300 km/h

(h) NASA / EPA

Quase como do dia para a noite, seis fenômenos ciclônicos aparecerem no hemisfério norte. Só no Atlântico existem três e no Pacífico há um supertufão com ventos de quase 300 quilômetros por hora.

No auge da temporada anual dos furacões, já são seis os furacões e tempestades que atacam os trópicos. Apesar de o furacão Florence ser o centro das atenções no Atlântico, o supertufão Mangkhut é, neste momento, o ciclone mais intenso do mundo, com ventos que atingem os 274 quilômetros por hora.

Além destes dois fenômenos, existem ainda outros quatro furacões que fazem os cientistas se questionarem sobre o porquê deste aumento de atividade. Há evidências substanciais que marcam as mudanças climáticas como sendo um dos culpados.

Ironicamente, é necessário ventos calmos para produzir um furacão e a existência de ventos fortes impede o crescimento e desenvolvimento deles. Como a quantidade de cisalhamento – um tipo de tensão tangencial gerado por forças aplicadas em sentidos opostos – atingiu seu mínimo sazonal, as tempestades cresceram exponencialmente.

Um dos fatores que também tem influência na criação destas tempestades, é a instabilidade do ar. Esta instabilidade funciona como catalisador dos furacões – é a lenha em uma fogueira. Na semana passada, estes valores atingiam valores abaixo da média até que tudo mudou e, sem razão aparente, os valores foram subindo.

Philip Klotzbach

@philklotzbach

The Atlantic has now had four named storms simultaneously for 18 hours. The last time that an Atlantic season had four named storms simultaneously for longer than 18 hours was in 1998. .

O furacão Florence, que chegou a ser de categoria 4 na escala de Saffir-Simpson, foi o primeiro furacão com uma categoria tão alta observado tão a nordeste. Neste momento, encontra-se em direção aos Estados Unidos.

Contudo, esse furacão não é único a agitar o Atlântico. A oeste de Cabo Verde, o furacão Helena produz ventos de cerca de 144 quilômetros por hora. Marcado como um furacão de categoria 1 e apesar de as imagens de satélite serem assustadoras, parece provável que o furacão permaneça em oceano aberto e se extingue, propiciando apenas a queda de chuvas fortes na Europa.

E não, os ventos no Atlântico não param por aqui. Isaac, uma tempestade com ventos na ordem dos 96 quilômetros por hora, está no Caribe e irá atacar as ilhas Antilhas Menores antes de passar no sul de Cuba e de Porto Rico.

Uma onda adicional de baixa pressão, a várias centenas de quilômetros a sudoeste dos Açores, também poderá desenvolver características tropicais ou subtropicais nos próximos dias, contudo, não parece ser uma ameaça.

Do outro lado, no Pacífico, o supertufão Mangkhut produz ventos de 274 quilômetros por hora e ondas gigantes a cerca de 322 quilômetros a oeste da costa Guam. Espera-se que o supertufão atinja o norte das Filipinas com a força equivalente a um furacão de categoria 5.

Mas na zona asiática, o supertufão também não está sozinho. A tempestade tropical Barijat irá passar no sul de Hong Kong. A cidade onde vivem 7 milhões de pessoastambém terá um encontro com o Mangkhut que, a essa altura, já terá uma classificação de categoria 1, de baixo nível.

O arquipélago do Havaí, conhecido pelo bom tempo, também terá sua luta com as ameaças no Pacífico. Olivia, a tempestade tropical, atinge o Havaí com chuvas intensas e inundações que chegam aos 38 centímetros.

Há cerca de duas semanas, com a ajuda do furacão Lane, o Havaí estabeleceu um recordena precipitação com 132,1 centímetros de chuva registrados. Mais uma vez debaixo de fortes chuvas, é esperado que as mudanças climáticas possam favorecer a criação de tempestades no paraíso tropical.

Combinando as seis tempestades que atingem os vários pontos do globo, verifica-se um aumento substancial na intensidade, periodicidade e quantidade de tempestades.

A Energia Ciclônica Acumulada (ECA) é a métrica utilizada para combinar a duração e a intensidade destes fenômenos e, em todo o hemisfério norte, a métrica avalia este ano como estando 159% acima do normal.

A grande contribuição para o resultado vem do Pacifico Leste, que marca 245% acima da média, seguido do Pacífico Oeste, com 124% acima dos valores normais. Os oceanos Indico e Atlântico também estão acima da média, mas apenas ligeiramente.

Contudo, o aparecimento destes fenômenos no meio de setembro não é uma surpresa. No cronograma da atividade histórica, esta época do ano não é estranha à ocorrência destes fenômenos naturais.

O Pacífico Oeste tem o pico registrado entre julho e outubro e o Pacífico Leste entre agosto e setembro. Já o Atlântico tem a época mais curta e o pico acontece na primeira metade do mês de setembro.

Contudo, a intensidade das tempestades é bastante elevada em todas as bacias. O meteorologista Phil Klotzbach, estudioso de furacões da Universidade do Colorado, criou um site que registra as atividades. No site, a conclusão é que todas as bacias oceânicasapresentam atividades entre o normal e o acima de normal para o ano de 2018.

Cientistas por todo o mundo afirmam que as mudanças climáticas não influenciarão o número de tempestades criadas, mas que, a grande alteração nestes fenômenos será o aumento das intensidades, algo que já tem sido registrado.

Ciberia // Agência Brasil

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